O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), intensificou o embate sobre a disputa territorial histórica entre seu estado e o Pará. Em declarações à imprensa na quarta-feira (3), o parlamentar exigiu o respeito às demarcações estabelecidas por Marechal Rondon, acusou o governo paraense de negligenciar os habitantes locais e afirmou que Mato Grosso recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reivindicar uma faixa de 22 mil quilômetros quadrados.
A controvérsia gira em torno de uma região cujo tamanho equivale ao estado de Sergipe, situada na fronteira entre as duas unidades federativas e que afeta seis municípios do sul paraense. Conforme a argumentação de Mato Grosso, teria ocorrido um equívoco cartográfico na medição executada pelo Exército Brasileiro em 1922, que ignorou os marcos originais fixados pelo desbravador Cândido Rondon.
Embora o STF tenha decidido a favor do Pará em 2020, o caso foi reaberto por novas tentativas de conciliação conduzidas pelo ministro Flávio Dino. Ao defender a posição mato-grossense, Russi direcionou críticas severas à administração paraense, sustentando que ela prioriza apenas a receita fiscal da área em detrimento da população local.
“A governadora está pensando na terra, na arrecadação, eles não cuidam daquela parte do Pará, eles cuidam do resto do estado. Pegam os recursos dali e investem em outras regiões do estado”, afirmou Russi. O deputado reforçou o compromisso de Mato Grosso com a causa: “Vamos trabalhar enquanto poder público, vamos ao STF, esperamos ter êxito, não é uma briga fácil, mas não podemos só entrar em brigas fáceis, temos que entrar naquilo que é justo. No meu entender, é justo para Mato Grosso, teremos condições de atender melhor aquelas pessoas”.
“Teremos condições de fazer justiça ao que foi demarcado por Rondon lá atrás...por Rondon que foi um dos grandes brasileiros. Então é uma briga que nós vamos até as últimas consequências”, declarou o presidente da ALMT. “Mato Grosso quer fazer justiça com a população e com o que foi demarcado há muitos anos atrás, por isso vamos ao STF”, concluiu Russi.